Amanda Pereira. "Tenho frases guardadas, que fiquei de dizer quando houvesse sentido."

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Eu poderia, meu amor,

Seguir vida sem desafinar?

Imagine só que maravilha

E quão mais fácil seria caminhar!

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O silêncio aumentou o tom de voz comigo, meu senhor!
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Estava olhando o Céu, querendo o Mar e tendo um caso com o Sol. Enquanto a Lua gritava tentando chamar atenção de seu amor.

beir-amar:

Roberto,

Andava me agüentando por dias, meu amor, mas tu sabes que sou fraca, a saudade sempre acaba me ganhando. Então, como esperado, estou cá novamente tentando tirar, de um jeito manso, essa agonia de meu coração com meras palavras jogadas numa carta que, por sinal, será jogada no lixo ou queimada de uma maneira dramática. Porque tu sabes, meu bem, tu sabes que nunca consegui abrir o peito e arrancar tudo do coração nem mesmo, talvez, conseguir vomitar a alma. Tu sempre soubeste que eu fui mais minha do que de qualquer outra pessoa, tanto me crucificaste por isso.

Foi tu o culpado nessa história, Roberto? Dizes-me, tu que acabaste roubando o sentimento tão gostoso que tínhamos? Foi sim, tu fizeste tudo errado, meu bem, não soubeste? Lembras quando ficamos dois meses sem nos ver? Quando nos reencontramos não foi como nos romances, meu amor, não foi como nos dramas que costumávamos assistir. Eu esperava um abraço apertado, um beijo bordado de saudades e uma frase bem clichê em meu ouvido… E tu só me deste um abraço mal-amado com apenas um braço, Roberto. A outra mão estava ocupada segurando (uma dose de agonia, de dor, de saudade, de antecipação e de ciúmes) um cafezinho expresso, daqueles que odeio. Por que não voltaste da maneira que se foste? Por que não voltaste como meu tão sonhado amor? A culpa desse fim tem que ser tua. Eu não posso ser a culpada pela felicidade destruída dos meus dias, não posso! Mas deixemos isso para a próxima (quem sabe bem próxima mesmo) conversa nossa, meu bem. Vemos-nos? Amamo-nos? Cuidemo-nos!

 De sua, que de sua não tem mais nada, amada.

Amanda

beir-amar:

Roberto,

Vejo que não tiveste tempo para responder-me, não? Vejo que fui tola de ter lhe mandado aquela carta. E vi. Vi-te, meu bem, vi-te hoje pela manhã na praçinha perto de casa, vi que andou o bairro todo e acabou n’um boteco todo esborrachado, tomando o velho café amargo quando desisti de tentar me comunicar. Percebi que não olhas mais na multidão tentando me encontrar, percebi que não tens a esperança de trombar comigo em qualquer esquina e eu também, infelizmente percebi que não te animaria me ver novamente, meu bem. Não se interessas mais pelo assunto ‘nós’. Este, em tua mente, já virou fofoca inepta.

O senhor ainda achas doce, nosso romance?

Mando-te, junto com esse pedaço de papel (meio rasgado, várias vezes dobrado, repleto de erros, meio molhado, meio angustiado e meio abandonado) um pote d’um mel, um pote daqueles decorados com apego, tudo muito doce. Talvez até, da mesma abelha que cultivou nosso drama. D’uma abelha que ainda tem esperança no nosso drama já acabado, acabado como eu.

 Sinto-me tão acabada, Roberto, não sinto capaz de me/lhe/nos fazer feliz, não mais. Não sinto nada, na verdade. Não sinto mais amor, não sinto paixão. Esqueci como é se sentir esquecida, acabada ou machucada. Não sei mais como é se sentir nas nuvens. Eu acabei destruindo a minha felicidade. Perdi meu senso de humor, perdi meu pobre coração, perdi a coragem e perdi-te. Quiçá eu não precise mais dessas néscias que o apego traz. Quiçá eu tenha ganhado sabedoria finalmente, eu tenha aprendido a ser menos enamorada do produto inflamável que é o amor… Mas ainda resta um pouquinho deste, meu anjo, e basta uma pequena chama que eu vou explodir amor. Cadê tu, Roberto? Cadê tu para me acompanhar nesta explosão? Tu sabes que sou novata nesse troço todo, sabes que vou acabar me machucando… Apaixono-me a cada faísca teimosa.

Da mulher que morreu de vontade de tomar um café contigo esta manhã,

Amanda

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Alô? Tem alguém por ai? Alguém me diz alguma coisa, eu tô cansada de ouvir o eco do meu riso. Esse eco ri na minha cara e eu rio dele, estamos brigando e eu não consigo parar porque a última palavra sempre vem dele. Eu quero parar mas não quero perder. Eu tô sozinha aqui, brigando com um eco enquanto eu poderia estar encontrando o meu príncipe encantado, tropeçando na calçada, derrubando livros, andando no parque ou até mesmo depois de ter comido uma maçã envenenada. Eu não estou pedindo muito, tô? Alguém dá um grito, me faz silenciar esse eco desgraçado, me faz silenciar meu riso, me deixa em paz para viver meu conto de fadas, mesmo que eu não acredite em nada disso.

Alô? Tem alguém ai?

Caralho!

— AP (beir-amar)

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Tinha tatuagens de pessoas morrendo nos braços, um ódio nas palavras e um buraco no coração. Ele deixava a educação em casa e não fazia questão de sorrir, aprendeu os palavrões muito cedo. Ele demonstrava não se preocupar com o que os outros pensavam e tinha cara de psicopata. Eu? Bom, eu não tinha a menor vontade de conhecer este rapaz, até eu olhar os olhos, deixar de ver as tatuagens e de ouvir as barbaridades que ele falava e olhar nos olhos. Os olhos, meu deus, os olhos brilhavam e iluminavam a cidade inteira, os olhos passavam um bem-estar e uma inocência desgraçada! E foi isso que me vez levantar a bunda da cadeira, atravessar a rua e sentar ao lado deste na calçada, foi uma conversa de vinte minutos que eu nunca vou esquecer. Bom, a conversa eu já não lembro mais sobre o que foi exatamente porque depois que ele deu o primeiro sorriso eu esqueci até o meu nome. Aconteceu um ‘eu quero te abraçar e te levar para casa’ á primeira vista!
Foi então que eu descobri: As tatuagens era para falecida mãe dele, o ódio nas palavras era contra os ladrões engravatados que tiram a liberdade das pessoas, o buraco no coração foi feito pelo gatilho no olhar de cada pessoa que passava por ele e julgava, como eu fiz. Ele não esquecia a educação em casa e muito menos o sorriso, ele só sorria pouco, o que fazia daqueles dentes mais brilhantes e mágicos. Ele era mais um, mais um mocinho nesse mundo, sendo julgado como vilão.
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Meu tipo preferido de gente é aquela que espirra engraçado, que ri com a mão na barriga, que canta e dança qualquer música. Aquele tipo de gente que tropeça e finge que tá correndo, que sai de pijama na rua, que acorda rindo. Gente que não planeja tudo. Gente que pede licença, que diz “obrigado”, que pede desculpas, que chora assistindo filme. Aquele tipo de gente que é muito sincera, mas sabe…. Quando e como falar, aquele que conversa olhando nos olhos. Aquela gente que diz que te ama, que mexe no cabelo dos outros, que lê as coisas no elevador, que conta piada, que joga conversa fora, que te organiza uma festa surpresa, um almoço ou um jantar surpresa… Aquele tipo de gente que te faz sorrir, que te faz sentir importante, que se importa. Aquele tipo de gente que não tem vergonha de ser feliz. Gente que gosta de gente!

— Autor Desconhecido (via re-capitu-lar)

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Não desliga não, por favor. Me conta uma história para melhorar essa noite de solidão, me conta como foi que seu nome foi escolhido, me conta como é que o arco-íris nasce, me dá um pouquinho de amor e me liberta desse quarto vazio e solitário. Eu sei que isso é o número da emergência, telefonista, mas fale comigo, porque a moça da policia não me deu atenção.

— Amanda Pereira (beir-amar)

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